MANOBRA DE FUNDEIO DA EMBARCAÇÃO - PROCEDIMENTOS

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No Anexo 4-B da NORMAM-03 aprende-se os procedimentos (manobra, faina) de fundeio, lançar a âncora ou o ferro da embarcação.

As embarcações deverão fundear, aproadas ao vento ou à corrente, com motor de propulsão em posição neutra, isto é, fora de marcha. A âncora deverá ser lançada quando a embarcação perder o segmento, usando uma extensão de cabo com comprimento aproximado de cinco a sete vezes (alguns autores sugerem 3 a 5 vezes) a profundidade local.

O cabo de fundeio não deve ser amarrado próximo ao motor, pois o peso do motor poderá somar-se à tração vertical do cabo provocando emborcamento e afundamento da embarcação.

Mas, antes mesmo de fundear, deve-se escolher um bom fundeadouro (natureza do fundo). Os fundos de “pedra” devem ser evitados sempre que possível (dificuldade de o ferro unhar e porque o ferro e a amarra podem se prenderem nas pedras). Caso seja necessário fundear em fundo de pedras, largue o ferro lentamente, usando a máquina de suspender e reduzindo o filame ao mínimo. É prudente mergulhar no local para inspecionar a situação do aparelho de fundeio porque se ficarem presos às pedras, poderá resultar na perda do ferro.

Os melhores tipos de fundo (os de boa tença) são de:

  • areia dura
  • lodo macio e 
  • lama e areia. 

Os fundos de areia fina e de lodo mole também são bons, no entanto, não oferecem a mesma segurança, pois o ferro pode garrar.

No fundo de lodo muito mole o ferro pode enterrar muito, dificultando a manobra de suspender. 


Requisitos de um bom fundeadouro:

  • abrigado, sem ou com pouco vento, corrente e vagas;
  • de pouca profundidade, evitando largar um grande filame;
  • apresentar fundo de boa tença;
  • não deve possuir gradiente acentuado (padrão piscina)
  • deve ter espaço suficiente (um círculo de raio igual à soma do filame mais o comprimento do navio) para o giro da embarcação fundeada. 

MANOBRA DE FUNDEAR EM MARCHA A VANTE


Para fundear a embarcação em marcha a vante, conduza-a ao fundeadouro escolhido, em velocidade reduzida, sem desligar o motor (desligar motor é a última coisa a ser feita) a cerca de três vezes o comprimento da embarcação da posição escolhida.

Largue o ferro e dê máquina à ré com um pequeno seguimento. Se você largar o ferro com a embarcação totalmente parada, a amarra vai empilhar sobre o ferro, podendo se enroscar nele.

Atenção! O ferro nunca vai unhar, estando a amarra na posição vertical, mas sim, com uma catenária (a catenária irá amortecerá os choques suportados pelo ferro). E mais, a embarcação é mantida no ponto escolhido para fundeio, também devido ao peso da amarra somado ao unhamento do ferro ao fundo.


PROCEDIMENTOS PÓS FUNDEIO

Após o fundeio da embarcação o comandante ou seu auxiliar de convés deve fazer marcações em dois ou mais pontos distintos de terra, bem visíveis e, preferencialmente, com diferenças entre si de 90º (ao contrário, a embarcação poderá garrar e com as marcações variando pouco, tais mudanças podem não ser percebidas, caso no momento a embarcação esteja aproada a um mar grosso ou vento forte).

Eu mesmo já passei por uma situação semelhante em Abrolhos onde o vento noturno (muito mais forte) fez o nosso barco garrar e quase fomos bater numa das ilhas. Foi por pouco. Isso porque foi lançado filame insuficiente para as condições de vento, e corrente marítima e amplitude de maré.


É isso e bons ventos a todos.

Luiz Eiroz 
instrução e assessoria náutica
Cel/Whats (13) 99680-8701

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